quarta-feira, 23 de outubro de 2013

[Fotografia] Fotos aéreas fantásticas mostram beleza e degradação do planeta Terra

O fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand apresentou, terça-feira (15/10), imagens que compõe a mostra itinerante A Terra vista do céu, no vão livre do MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) e nas grades do Parque do Trianon, ambos na avenida Paulista, em São Paulo.

As 130 fotografias, tiradas do alto de helicópteros e balões, revelam a beleza natural do planeta vista do alto e a degradação causada pelas ações do homem.

Veja algumas das imagens de Arthus-Bertrand:

O porto de pesca de Yokohama, no Japão, é cercado por estradas, como as que compõem o trevo acima, que são símbolo de um desenvolvimento econômico em grande parte fundado no transporte rodoviário, como em inúmeros países industrializados.  Seguindo esse modelo dominante, as superfícies rodoviárias aumentaram no mundo todo. O setor de transportes é um dos principais emissores de gases do efeito estufa (23% em 2009) e o que cresce mais rápido.
O Olho das Maldivas é uma formação de corais desenvolvida num suporte rochoso que cedeu com o tempo, só deixando à vista um recife, emerso na maré baixa e cercando uma lagoa rasa. O arquipélago das Maldivas foi violentamente atingido pelo tsunami de 26 de dezembro de 2004, deixando 83 mortos, mais de 2.000 feridos e cerca de 290 mil  m³ de escombros, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. De acordo com as estimativas dos peritos, o arquipélago, com 80% das terras situadas a menos de 1 m acima do nível do mar, corre o risco de ser totalmente submerso, devido aos problemas relacionados ao aquecimento global.
Os grãos de areia, deslocados pelos ventos do deserto, acumulam-se diante do menor obstáculo, como a estrada acima, no Vale do Nilo, no Egito, formando dunas. Na história do planeta, os desertos sempre existiram. Há centenas de milhões de anos, eles evoluíram constantemente, de acordo com as mudanças climáticas e a deriva dos continentes. Hoje, as atividades humanas, como a exploração excessiva da vegetação das terras semiáridas, também contribuem para a desertificação.
O Marrocos é um importante centro de produção de tapetes. Eles são tradicionalmente tecidos em lã — símbolo de proteção e felicidade — às vezes associada à seda, ao algodão e ao pelo de camelo ou de cabra. As cores e os desenhos são característicos das regiões de fabricação. Acima, os tapetes de Marrakech, produzidos com tons mais quentes.
Centro de  irrigação em Wadi Rum, na Jordânia, retira água de camadas profundas do subsolo (de 30 a 400 m).
A ideia de realizar o projeto A Terra Vista do Céu, para mostrar a beleza do planeta Terra e a fragilidade da natureza por um novo ângulo, surgiu quando o fotógrafo estava no Brasil durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco 92.

Na imagem acima, a antiga cidade caravaneira de Shibam, que fica cercada de água, como uma ilha, na época de chuvas. Se essas precipitações fizeram do Iêmen um país fértil, elas também degradam as casas, muito vulneráveis à corrosão. Desde 1984, Shibam está inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.

As fotografias foram reunidas em um livro de sucesso internacional, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, e a exposição foi apresentada pela primeira vez em Paris, na França, em 2000. Acima o vulcão Rano Kau, situado a sudoeste da Ilha de Páscoa, no Chile.
No Brasil, a mostra foi realizada no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.
Acima, a floresta mineral de Tsingy de Bemaraha, a oeste de Madagascar, abriga espécies de plantas e animais que não existem em nenhuma outra parte do mundo, muitas delas já em extinção
As fotografias ficarão expostas em São Paulo até o dia 15 de dezembro de 2013, com visitação gratuita para todos os públicos. A mostra itinerante já foi vista por mais de 200 milhões de pessoas em 110 países.
Acima, o parque eólico Middelgrunden, em Copenhague, na Dinamarca.
Yann Arthus-Bertrand é, além de fotógrafo, jornalista e ambientalista. Ele possui mais de 60 livros publicados com fotos que tirou por todo o mundo, sempre a bordo de helicópteros e balões, e está trabalhando em seu novo longa intitulado Human.
Na imagem acima, a Central Solar Termelétrica de Sanlúcar la Mayor, em Andaluzia, na Espanha.
Acima o monte Everest, no Himalaia, com 8.848 m de altitude.
Apesar de vistas como invencíveis e imutáveis, as montanhas do Himalaia estão em plena mutação ecológica. A elevação das temperaturas na região (1°C a mais desde 1970) leva a um derretimento generalizado das geleiras, e os lagos de altitude que se formam enchem tão rápido que podem transbordar ou romper suas bacias, pondo em risco a vida de milhões de pessoas nos vales.
O vilarejo de Koh Pannyi se encontra na baía de Phang Nga, na Tailândia, formada por um derretimento de gelo ocorrido há 18 mil anos. A elevação das águas submergiu as áridas montanhas, só deixando de fora os cumes, atualmente cobertos de vegetação tropical.
O Kilimanjaro é o cume mais alto da África, com 5.895 m de altura. O aquecimento global, a falta de chuvas e o desmatamento estão tornando escassa a neve que costumava cobrir o monte. A superfície da geleira já perdeu 80% da sua extensão, e cientistas estimam que ela desaparecerá em meados deste século.
A geleira Perito Moreno (foto), na Província argentina de Santa Cruz, que se estende por 52 km.
Próximo da fronteira chilena, o parque nacional de Los Glaciares abriga 47 geleiras oriundas da calota de gelo continental da Patagônia, a maior do mundo após as da Antártida e do Ártico. As geleiras e as calotas polares representam 9% das terras emersas do globo. O aquecimento do planeta, em parte ligado às atividades humanas, por meio do derretimento do gelo e sobretudo pela dilatação da água sob o calor, pode elevar o nível dos oceanos em 50 cm em média antes do final do século 21 e inundar litorais férteis e habitados